uma lista do gosto

o calor do Sol;
comer bem;
ver gente;
dançar;
me sentir querida;
me sentir útil;
me sentir realizada;
produzir;
o calor durante o beijo;
falar livremente;
sorrir;
gargalhar;
doce de abóbora;
cozinhar e ficar bom;
tocar alguém que nunca beijei, mas quero;
lavar cada centímetro do corpo;
silêncio;
beijar o olho, o espaço entre o olho e o nariz, beijar o canto da boca.

1 coma; 2 descanse; 3 perambule nos intervalos; 4 seja leal; 5 ame os filhos; 6 queixe-se ao luar; 7 apure os ouvidos; 8 cuide dos ossos; 9 faça amor; 10 uive sempre.

“Caminho: tira de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada diferencia-se do caminho não só porque percorremos de carro, mas porque é uma simples linha ligando um ponto ao outro. A estrada em si não faz nenhum sentido; só têm sentidos os dois pontos ligados por ela. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho tem um sentido próprio e nos convida a parar. A estrada é uma triunfal desvalorização do espaço, espaço que hoje em dia não é mais do que um entrave aos movimentos do homem.
Antes mesmo de desaparecerem na paisagem, os caminhos desaparecem da alma humana: o homem não tem mais vontade de caminhar e de ter prazer nisso. Sua vida também, ele não a vê mais como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha que leva de um ponto a outro, do posto de capitão ao posto de general, do estado de esposa ao estado de viúva. O tempo de viver está reduzido a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar numa velocidade cada vez maior.”
Milan Kundera, “A Imortalidade”.
{Nenhuma paz vai nos proteger}
“Ativistas privilegiados devem compreender aquilo que o resto do mundo já sabe há muito tempo: estamos em meio a uma guerra, e a neutralidade não é possível. Não há nada neste mundo que mereça o nome de ‘paz’. É mais uma questão que se reduz a de qual é a violência que nos assusta mais e do lado de quem vamos resistir.”
Peter Gelderloos, “Como a não-violência protege o Estado”